quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Salão de Entrada I

Aqui está o Contador, com a cadeira renovada, como convém a um Salão de Entrada: as pessoas não íntimas aos habitantes deste palacete eram recebidas nesta área, e era aqui que aguardavam saber se iam ou não ser recebidas. Caso a resposta fosse positiva, o mais provável eram serem atendidos no Escritório/Biblioteca, pois todas as outras divisões estavam relacionadas com um maior grau de intimidade.
Assim, enquanto esperavam (as criadas tinham de aguardar autorização e depois anunciar a visita) nada melhor que esperar sentado.

Como se percebe peloa imagem, para a decoração do Salão de Entrada decidi revestir as paredes novamente a azulejo. Andei a investigar qual o tipo de revestimento mais comum nos palácios nesta época e uma boa percentagem apostou nos azulejos.

Os revestimentos a azulejos constituíram uma alternativa nacional face às decorações europeias, em particular aos ambientes franceses, onde abundavam as talhas, os estuques, as molduras, os frisos, numa filigranagem decorativa que teve o seu eco em Portugal, por exemplo, no Palácio de Queluz, que reflecte muito desse gosto.

O azulejo era uma alternativa inovadora, duradoura, higiénica e resistente que, através de painéis representando temas diversos (mitológicos, cenas campestres, cenas religiosas, alegorias, etc) conseguia interessantes efeitos de trompe l'oeil. Os painéis dinamizavam os espaços, "abrindo janelas" de grande efeito cenográfico. E para os enquadramentos e molduras a azulejaria propôs composições que recorriam a elementos de arquitectura como pilastras, cartelas, sanefas, mísulas, etc. em harmonia com aquilo que acontecia também na talha dourada.


Dete modo, retirei a minha inspiração de inúmeros palácios portugueses que, em meados de setecentos e num fenómeno de norte a sul do país (e com igual impacto no interior de igrejas e espaços conventuais) adaptaram e divulgaram esta forma de expressão artística.

A pintura, exclusivamente a azul cobalto, estava intimamente relacionada com o gosto nacional que, desde o início do século XVI, havia adoptado o azul das porcelanas da China ou, como se dizia na época "louça da Companhia das Índias" e também por influência da azulejaria holandesa, realizada a óxido de manganês (mas muito menos expressiva).

Usei como base de projecto os painéis de azulejos que decoram o Salão de Entrada do antigo Palácio dos Mello (hoje Hospital dos Capuchos, Lisboa) que constam de uma série de painéis da primeira metade do século XVIII, com cenas campestres e de caça.

Tive de realizar algumas adaptações, não só ao nível da escala 1/12, mas em particular nas cercaduras e nas molduras (anulei os vasos que coroavam os remates e uma fiada inferior).

Para quem deseje visitar palácios com azulejos nas paredes das entradas, para o norte temos o Palácio da Brejoeira, em Monção, o dos Biscainhos, na cidade dos Arcebispos, o palácio dos Condes da Anadia e para a zona da capital, o palácio do Correio-Mor, em Loures.

4 comentários:

Ritchie disse...

está fabuloso. adoro a harmonia cromática entre o azul dos azulejos, o tom de madeira no chão e o dourado dos móveis.
O meu palácio não ficará nada que se pareça ao teu... ficará bem mais modesto e com muita coisa que não faz sentido em termos de estilo decorativo. mas dada a minha limitação já me dou por feliz. aparte de tudo isto os elogios são-te totalmente merecidos

proença disse...

parabéns :) acho que o teu é o primeiro palácio de bonecas que vejo ser decorado ao gosto nacional. como disse o ritchie, a harmonia do salão de entrada está muito bem conseguida :)

carla disse...

Amei o teu Salão de Entrada... o Contador está fabuloso... e o chão está absolutamente fantástico... ficamos com vontade de ter vivido nesta época ... bjinhos

Biby disse...

Olá! Adorei os azulejos!
A entrada ficou linda!!!!